12 anos de escravidão, por Luísa Anabuki

Filme, inspirado em livro homônimo (em inglês, Twelve Years a Slave), retrata a história de Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor) que, durante o período de escravidão dos Estados Unidos, mais especificamente 1841, era livre, músico, violinista e vivia com a família em Nova York. Um dia, recebe uma oferta de emprego temporário em Washington e, ao chegar lá, é drogado e embriagado pelos recrutadores e levado para trabalhar em uma fazenda na Lousiana por 12 anos até a sua libertação.

Ao apresentar a realidade de exploração do trabalho negro nas fazendas do sul do país e acompanhar os 12 anos em que tenta Solomon provar ser um homem livre, o filme retrata as várias formas de abusos a que eram submetidos os trabalhadores escravizados, iniciando pela supressão total de sua liberdade, exercício de compra e venda de seus corpos, castigos físicos e psicológicos, estupros, desrespeito aos laços familiares e toda sorte de violências.

Por não poupar o espectador de cenas fortes, comove e leva à reflexão sobre escravidão. Uma das principais críticas feitas à narrativa, no entanto, é a necessidade de buscar um protagonista já liberto, culto e com família estruturada para criar empatia. Muito se questionou se a revolta do público vinha da injustiça em se submeter um homem livre à escravidão e não da escravidão em si, não havendo a mesma empatia com os escravos que já estavam sob esta condição desde o nascimento ou mesmo há gerações.

A primeira mensagem do filme é relembrar a crueldade e os horrores do sistema escravocrata. Decorre disso, a necessidade de se refletir sobre as formas contemporâneas de escravidão, que também se utilizam de meios enganosos de arregimentação e promovem abusos contra os trabalhadores, quer limitando sua liberdade, com apreensão de documentos e isolamento geográfico; com jornadas exaustivas e trabalho degradante, quer por servidão por dívida. Esses trabalhadores, nossos contemporâneos, trabalham sem descanso, sem condições de alojamento e alimentação, muitos se acidentam e não recebem a devida assistência, sem ganhar em troca sequer o pagamento de um salário-mínimo e, não raro, sob ameaças.

É um importante filme para lembrar que as formas contemporâneas de trabalho escravo ainda existem, são reais e atingem normalmente trabalhadores de extrema vulnerabilidade social (pardos e negros, migrantes internos e pobres). O exercício de empatia com os trabalhadores e revolta com essa forma de exploração humana podem e devem ser exercidos desde já.

 

Data de lançamento 2013 (2h 13min)

Direção: Steve McQueen (II)

Elenco: Chiwetel Ejiofor, Michael Fassbender, Benedict Cumberbatch e outros

Gêneros Drama, Histórico

Nacionalidade EUA

* Luísa Anabuki é Procuradora do Trabalho e curadora da filmoteca do trabalho

27 de novembro de 2019

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