Estrelas além do tempo, por Luísa Anabuki

Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures; 2017) é um filme estadunidense que retrata um momento histórico em que, em plena Guerra Fria, as afirmações de poder se davam de forma difusa, o campo de batalha se expressava, dentre outras maneiras, pelas conquistas científicas. É nesse clima que a Corrida Espacial representa a tensão e o conflito da época, reunindo esforços concorrentes dos Estados Unidos e da União Soviética na conquista do Espaço.

Nesse período, foram grandes os avanços tecnológicos e, até hoje, permeia nosso imaginário a possibilidade de uma epopeia espacial. Diversos e variados são os filmes que encenam a saída dos seres humanos dos limites da Terra e a importante e decisiva participação daqueles que nela ficavam e eram responsáveis pelos programas espaciais.

Esse contexto é nosso conhecido. O que muitos não sabiam e Estrela Além do Tempo busca retratar é que não havia a tecnologia atual, com computadores capazes de realizar cálculos matemáticos complexos em poucos segundos. Esse trabalho era realizado por pessoas. Dentre elas, matemáticas negras. Mulheres extremamente inteligentes, rápidas e eficientes.

Há críticas ao filme com relação a certa imprecisão histórica, já que trata de personagens reais, ou mesmo por introduzir um personagem masculino e branco numa narrativa que teria como protagonistas as mulheres negras. No entanto, é uma excelente base para trazer reflexões do Mundo do Trabalho.

O filme mostra como as mulheres negras que realizavam os cálculos eram isoladas dos demais trabalhadores e ficavam confinadas em sala e prédio de pior estrutura, inclusive com separação total de banheiros, o que pode ser enquadrado como uma forma de ostracismo, por motivo odioso (racismo). A interseccionalidade entre gênero e raça também é retratada, quando se vê que as mulheres negras e brancas tinham sua possibilidade de participação e ascensão limitadas, mas que essas restrições eram ainda mais severas para as negras. O teto (de vidro) era ainda mais baixo para as mulheres negras.

São questões trabalhistas relevantes, portanto, a discriminação racial e de gênero no acesso e na ascensão no trabalho, nas suas formas direta e indireta, com práticas como: a estigmatização, organização e mobilização dos trabalhadores e muitos outros.

Esse é um filme que merece ser assistido.

 

Ficha

Data de lançamento 2 de fevereiro de 2017 (2h 07min)

Direção: Theodore Melfi

Elenco: Taraji P. Henson, Octavia Spencer, Janelle Monáe mais

Gêneros: Drama, Biografia

Nacionalidade: EUA

* Luísa Anabuki é Procuradora do Trabalho e curadora da filmoteca do trabalho

24 de outubro de 2019

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