ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS PROCURADORES DO TRABALHO

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MPT-PB registra aumento de quase 50% no número de denúncias de trabalho infantil

João Pessoa (PB) – Em apenas um ano, o Ministério Público do Trabalho na Paraíba registrou um aumento de quase 50% no número de novas denúncias e procedimentos gerais relacionados ao tema “exploração do trabalho da criança e do adolescente”. Em 2018, o sistema digital do MPT-PB computou 129 notificações e novas denúncias e no ano passado esse número chegou a 192 (crescimento de 48,8%). Atualmente, o MPT possui mais de 3,2 mil investigações em curso em todas as suas 24 regionais no País, sendo aproximadamente 200 na Paraíba envolvendo o tema. No entanto, o MPT também constatou que no período carnavalesco (fevereiro/março), a média de denúncias no país é 38% maior do que nos demais meses do ano. Para alertar a sociedade sobre esse problema, uma campanha de combate à exploração do trabalho infantil no período de Carnaval foi lançada na semana passada nas redes sociais de todo o país. Na Paraíba, o MPT realizou um evento de apresentação da campanha para a ‘rede de proteção’ e a imprensa, nessa quarta-feira (19), no auditório do edifício-sede do órgão, em João Pessoa. O lançamento contou com a presença de entidades parceiras e conselheiros tutelares da Grande João Pessoa. A procuradora-chefe do MPT na Paraíba, Myllena Alencar, abriu o evento falando da importância de contar com entidades parceiras na realização de campanhas que tenham como objetivo a proteção da infância e da adolescência. Entre as entidades presentes estavam a Casa Pequeno Davi, representada por Dimas Gomes e o Fórum Estadual de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (Fepeti-PB), representado pela coordenadora Maria Senharinha. A campanha ressalta a diversão como um direito negado às crianças e adolescentes que estão trabalhando nos blocos e festas de Carnaval. “Ele queria pular o Carnaval, mas acabou perdendo a infância”, alerta uma das frases da campanha que mostra o desenho de um menino triste catando latinhas, pensando que gostaria de estar se divertindo na festa. Mostra que o trabalho precoce “rouba” a infância e afasta meninos e meninas pobres dos seus sonhos. Para a procuradora do Trabalho Edlene Lins, coordenadora regional Coordinfância/MPT e representante da campanha na Paraíba, é importante a sociedade estar atenta para perceber e denunciar os casos de exploração do trabalho infantil no período carnavalesco. Ela reforçou que o Brasil precisa erradicar todas as formas de trabalho infantil até 2025, pois é uma das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. E que o país só atingirá essa meta com o apoio integrado de todos: rede de proteção e sociedade civil organizada, com o apoio da imprensa, que sempre é parceira essencial nas ações. Ala Ursa ‘Urso Alegria do Panda’ – O lançamento da campanha contou com a participação da Ala Ursa “Urso Alegria do Panda”, grupo que integra um projeto social existente há 19 anos e que conta com 109 componentes. Ricardo Júnior, que coordena o grupo na comunidade São Rafael, no bairro da Torre, na Capital, ressaltou que estudar é prioridade para as crianças. Ele também destacou as atividades culturais como uma forma de evitar que as crianças sejam exploradas e recrutadas para o tráfico de drogas. “Eu poderia ter sido recrutado para o tráfico, mas por meio da cultura e de um grupo de capoeira segui outro caminho, a exemplo de outros jovens da comunidade que também estão no projeto, como ele”, declarou Ricardo, apontando para o jovem que estava fantasiado de urso. A campanha – Além da divulgação nas redes sociais do MPT no País, a campanha está sendo veiculada em diferentes mídias próximas dos locais de concentração da folia, em alguns estados, além de estar sendo compartilhada com entidades parceiras (FNPETI, Fepeti-PB, Casa Pequeno Davi, entre outras). Nas redes sociais, estão sendo usadas as hashtags #CarnavalSemTrabalhoInfantil e #CarnavalsemExploraçãoInfantil. O MPT ainda mantém a hashtag #ChegaDeTrabalhoInfantil, já bastante conhecida, divulgada com frequência em ações permanentes do órgão e compartilhada também por artistas, cantores e personalidades em geral que já abraçaram esta causa, como Daniela Mercury, Ivete Sangalo, Carlinhos Brown, Elba Ramalho, Wesley Safadão, entre outros. O que diz a lei – No Brasil, o trabalho é proibido para pessoas com idade inferior a 16 anos, salvo na condição de aprendiz a partir dos 14 anos. Entre 16 e 18 anos, o adolescente pode trabalhar sob determinadas condições protetivas: não pode estar exposto ao trabalho noturno, perigoso, insalubre ou àquele que traga algum prejuízo à formação moral e psíquica. Como denunciar – Além do Disque 100, as pessoas também podem denunciar casos de exploração do trabalho infantil ao Ministério Público do Trabalho. Para isso, a pessoa pode baixar o aplicativo ‘MPT Pardal’, disponível nos sistemas Android e iOS, ou acessar o formulário online de denúncias, disponível no site www.mpt.mp.br.  

Por que seu próximo colega de trabalho pode ser um robô

Você ouve EVA antes de vê-lo. Um ruído lhe dá as boas vindas quando você entra na sede da Automata, uma startup sediada em Londres. Deparo-me com um braço robótico realizando um complexo conjunto de movimentos: seis articulações girando em uma sequência para colar uma etiqueta em um pacote. Esse é EVA. Por meses a fio, o robô vem fazendo esses movimentos sem parar para testar sua confiabilidade. Espalhadas pelo escritório e pela oficina, há mais de uma dúzia de outras unidades de EVA, algumas sendo desmontadas pelos engenheiros, outras aguardando testes. Deve ser muito assustador à noite, pois EVA continua seu trabalho, simulando colar etiquetas, enquanto está cercado por seus clones silenciosos. Esse braço robótico foi concebido pelo ex-arquiteto Suryansh Chandra e de seu sócio Mostafa Elsayed. "Começamos com a intenção de democratizar a robótica, de tornar a automação disponível e acessível a tantas pessoas quanto necessário", diz Chandra. Eles apostam que existem milhares, senão milhões, de empresas menores cujas atividades requerem tarefas repetitivas. No entanto, muitas delas não podem comprar um grande robô industrial. Nesse sentido, o EVA foi desenvolvido a partir de peças confiáveis e baratas. Ele usa os mesmos motores que alimentam as janelas elétricas nos carros, enquanto os chips de computador são semelhantes aos usados no setor de eletrônicos de consumo. Com o barateamento dos custos, o EVA pode ser vendido por 8 mil libras (R$ 45 mil). "Se eu fosse fazer uma analogia, é como se estivéssemos em um mundo com vários carros de luxo. Tudo é rápido, poderoso e preciso, mas não há um Toyota. Não há um carro para pessoas comuns", diz Chandra. A Automata faz de um pequeno grupo de empresas tentando encontrar um mercado mais amplo para robôs e revolucionar a maneira como as coisas são feitas. Mais de 2,4 milhões de robôs industriais estão operando em fábricas em todo o mundo, de acordo com dados da Federação Internacional de Robótica (IFR), que prevê um crescimento de vendas de dois dígitos de 2020 a 2022. Atualmente, a maioria dos robôs realiza trabalhos repetitivos em grandes fábricas, produzindo carros, eletrônicos e metal. Esses braços industriais gigantes há muito são poderosos e precisos, mas carecem de adaptabilidade. No entanto, agora, os avanços em inteligência artificial, juntamente com a tecnologia de visão aprimorada e os melhores dispositivos para manuseio, estão abrindo novos mercados. As compras online abriram uma oportunidade interessante para o setor. Nos armazéns gigantes, milhões de objetos de diferentes formas e tamanhos precisam ser classificados e movimentados. Robô EVA em funcionamento — Foto: Automata Escolha e combine Para substituir os humanos neste mercado em crescimento, os robôs precisam ser capazes de reconhecer e segurar todos os tipos de itens diferentes. "Algo que uma criança pode fazer com facilidade, como alcançar uma lixeira e pegar um item, é realmente difícil para um robô. Foi necessária muita tecnologia para tornar isso possível", diz Vince Martinelli, da RightHand Robotics, empresa sediada nos EUA. A RightHand Robotics foi uma das primeiras a desenvolver uma pinça que pudesse ser montada na extremidade do braço do robô, permitindo que ele pegasse itens de tamanhos diferentes. Para segurar itens, o braço robótico emprega um dispositivo de sucção e três dedos. Primeiro, esse sugador aumenta de tamanho para pegar o item e, depois, os três dedos o prendem. Ele usa uma câmera ligada à inteligência artificial para identificar e localizar o objeto que deseja. O crescimento vertiginoso nas compras online criou uma demanda por esse tipo de tecnologia; somente a Amazon investiu centenas de milhões de dólares em tecnologia para seus armazéns. "Quando vou a uma loja, tenho à disposição minha 'mão de obra'. Ando pela loja pegando as coisas que quero. Ao fazer um pedido online, entretanto, eu devolvo essa tarefa ao varejista, é ele que tem de se virar para que esse item chegue à casa do consumidor", diz Martinelli. A Soft Robotics, também sediada nos EUA, está buscando a solução para o mesmo problema, embora de uma maneira diferente. Sua mão robótica tem dedos de borracha que se enchem de ar, permitindo que eles manuseiem itens delicados de comida, como biscoitos e doces. "A indústria de alimentos é quase inteiramente manual hoje, porque cada pedaço de comida, cada bisteca de frango, seja o que for, varia em tamanho e forma. Também preciso prestar atenção à segurança e limpeza de alimentos", diz Carl Vause, CEO da Soft Robotics.   Vause diz acreditar que a tecnologia de sua empresa também pode ser empregada na indústria do vestuário. Embora esses sistemas ofereçam maior habilidade aos braços robóticos, sua destreza ainda fica muito aquém da mão humana. Pesquisadores do Laboratório de Robótica de Bristol (uma parceria entre a Universidade do Oeste da Inglaterra e a Universidade de Bristol) acham que o grande avanço seria dar às mãos dos robôs uma sensação de toque. O professor Nathan Lepora, chefe do grupo de robótica tátil, desenvolveu sensores de borracha que podem detectar e mapear superfícies. O sistema usa uma câmera dentro de cada "dedo" que detecta como a ponta de borracha se projeta e se move ao tocar em um objeto. Usando um tipo de inteligência artificial chamado aprendizado de máquina, o robô é treinado para reconhecer objetos apenas tocando-os e vendo como a ponta de borracha responde. Lepora acha que, até o final desta década, os robôs poderão manipular itens, montar objetos e mexer da mesma maneira que os humanos fazem com as mãos. "É apenas um desafio de engenharia no final do dia. Não há nada mágico em como usamos nossas mãos", diz ele. Reação emocional Com futuros avanços em hardware robótico e inteligência artificial, robôs poderão realizar cada vez mais tarefas que atualmente são executadas por seres humanos. Segundo um relatório da OCDE , 14% dos empregos estão "em alto risco de automação" e 32% deles podem ser "radicalmente transformados", com o setor de manufatura em maior risco. É um tópico delicado para quem trabalha na indústria de robótica e para empresas que usam robôs. Chandra argumenta que sua tecnologia eliminará trabalhos repetitivos e chatos dos quais os humanos não gostam e em que não são muito bons, além de criar novos que provavelmente os substituirão. "Definitivamente, existem dezenas de milhares de novos empregos em nossa sociedade que não existiam antes. Então, acho que falar em estabilidade de empregos é uma ficção, nunca foi realmente assim", diz ele.   "Toda vez que um emprego desaparece, há uma reação emocional... mas isso abre espaço para a criação de outros". Fonte: BBC

Pós-graduados têm mais chances de se destacarem no mercado de trabalho

Quando o engenheiro elétrico, Nilson de Moura Netto, 25 anos, decidiu fazer uma pós-graduação, já estava bem inserido no mercado de trabalho. Acostumado com a rotina de estudos — havia concluído a graduação há pouco tempo — e com o desejo de aprimorar um lado mais analítico e organizacional, Netto optou por uma especialização. Pesquisou e escolheu o MBA em Engenharia de Qualidade e Melhoria de Processos na Universidade de Uberaba (Uniube). Netto trabalha em uma empresa que elabora projetos elétricos, a Engecad Energia. Desde que entrou nela, o engenheiro teve uma interação forte com a melhoria de processos no setor em que atuava, mesmo sem saber exatamente o que fazia. Foi durante a especialização que entendeu do que se tratava e teve a certeza que estava no caminho certo. Poucos meses depois de iniciar a pós-graduação, veio a surpresa: uma promoção no trabalho. "Posso dizer que o impacto mais positivo com a pós-graduação, para mim, foi ter sido transferido para o setor de processos da empresa. Mesmo antes de ter concluído o curso, usufruo da oportunidade de atuar na área da minha especialização", diz. Upgrade na carreira Para quem está no mercado de trabalho e almeja um crescimento na carreira, cursar uma pós-graduação pode ser a escolha certa. Prova disso é o levantamento feito pelo Sindicato das Entidades Mantenedoras de Ensino Superior (Instituto Semesp). De 2016 a 2019, o número de matrículas em cursos de pós-graduação lato sensu (Especialização e MBA) aumentou 74%, enquanto os cursos stricto sensu (Mestrado e Doutorado) cresceram 18% e 9%, respectivamente. Segundo a coordenadora do MBA em Engenharia de Qualidade e Melhoria de Processos da Uniube Uberlândia, professora Isabel Borges, a pós-graduação latu sensu, em especial o MBA, é a escolha do aluno que tem objetivos voltados para negócios e mercado de trabalho. Quando o assunto é o catálogo de cursos ofertados, as instituições de ensino particulares saem na frente com 88% contra 12% das instituições públicas, segundo o levantamento. Com maior acesso aos cursos de pós-graduação e o aumento na oferta de opções, os profissionais precisam ser criteriosos na escolha do programa ideal e, principalmente, da universidade em que vão se matricular. "É preciso atentar a três critérios básicos: quadro docente, credibilidade da instituição e objetivo de carreira. É essencial que o curso seja ministrado por profissionais que atuem no mercado de trabalho, com experiência sobre o assunto. Além disso, a instituição deve ter relevância e ser bem recomendada por alunos e ex-alunos. O estudante deve também refletir sobre os projetos futuros e escolher um curso que se relacione diretamente com ele", orienta a professora. Antes de se decidir pelo MBA em Engenharia de Qualidade e Melhoria de Processos, Netto pesquisou. "Por morar em Uberaba e conhecer de perto a qualidade e abrangência dos serviços de pós-graduação da Uniube, decidi procurar no site quais os cursos disponíveis. Ao verificar a descrição do curso de MBA, vi que a grade curricular e o perfil do profissional formado se alinham ao que eu vinha planejando para a minha carreira", diz. Nem mesmo a distância foi empecilho. Ele viaja quinzenalmente cerca de 200 quilômetros até Uberlândia para estudar. "Afirmo, com propriedade, que estas aulas tiveram em mim um impacto muito positivo e têm uma forte contribuição para a pessoa que me tornei em menos de um ano de curso", conclui contente. Fonte: Terra

Com milhões em casa, China vive o maior teste de trabalho remoto do mundo.

A epidemia de COVID-19 que isolou a maior parte dos chineses em suas casas também criou a maior experiência de trabalho remoto do mundo. Em fevereiro, quando os chineses voltaram ao trabalho depois do Ano Novo Lunar (não houve comemorações esse ano), a demanda por serviços de videoconferência e de plataformas de trabalho se potencializou e atingiu a casa das centenas de milhões de usuários corporativos. O tráfego das plataformas de trabalho mais populares da China, o DingTalk (do grupo Alibaba), o WeChat Work e o Tencent Meeting, serviços de mensagens e videoconferência da Tencent, simplesmente explodiu. Com o DingTalk, os usuários podem criar grupos de bate-papo em equipe, ver gráficos organizacionais e fazer videoconferência. Para as empresas, o aplicativo também pode rastrear o atendimento de horas extras automaticamente. No dia 4 de fevereiro, a DingTalk revelou que o seu tráfego de videoconferência atingiu o pico histórico às 9 da manhã, com mais de 200 milhões de usuários se comunicando remotamente. Além de empresas, escolas também estão usando os aplicativos. O recurso de transmissão ao vivo, por exemplo, foi usado por 50 milhões de alunos e 600 mil professores para aulas on-line. E antes da epidemia, o WeChat Work registrava aproximadamente 60 milhões de usuários por dia vinculados a 2,5 milhões de empresas. No final de janeiro, a Tencent começou a expandir sua estrutura de cloud computing para atender a uma demanda que, de fato, atingiu centenas de milhões de usuários ao dia em fevereiro. Desde o dia 10, período em que os profissionais retornaram do feriado, a procura pelo WeChat Work aumentou dez vezes, informou a Tencent. O serviço foi turbinado não só por empresas, mas escolas e outras instituições. Não foram só as duas grandes plataformas chinesas que cresceram. O Lark, serviço colaborativo da ByteDance, tem sido muito baixado pelo público mais jovem. Detalhe: com essa ferramenta, a ByteDance se consolida rapidamente como um dos unicórnios que vem ganhando projeção além das fronteiras chinesas. A empresa criou a rede social TikTok, que reúne 1,2 bilhão de usuários em torno do compartilhamento de vídeos divertidos e foi o terceiro app mais baixado do mundo, perdendo apenas para o WhatsApp e o Messenger, ambos do Facebook. Oportunidade escondida? Assim como no mundo, o teletrabalho ainda é pouco comum na China. Isso porque, tradicionalmente, existem resistências corporativas ao trabalho remoto que estão relacionadas à perda de controle e supervisão organizacional. Por outro lado, o volume recorde de trabalho em casa na China não vem de um privilégio, mas uma necessidade. Mesmo assim, a cultura de trabalho remoto tem registrado ganhos de produtividade em várias áreas, e isso vai levar muitas empresas a refletir mais sobre como engajar os trabalhadores. Um exemplo vem de uma pesquisa da Universidade de Stanford. Estudando o impacto do trabalho remoto em profissionais de atendimento de uma agência chinesa de viagens, a Ctrip, a universidade revelou um aumento de 13% no desempenho. Ganhos que foram possibilitados pelas tecnologias digitais, mas também por mudanças na cultura organizacional. O trabalho remoto nunca vai substituir todas as funções corporativas, mas em contextos específicos o aumento de produtividade é evidente. De qualquer forma, a experiência chinesa serve para testar o trabalho remoto em grande escala e estudar novas oportunidades de negócio. Fonte: Felipe Zmoginski ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

2,9 milhões de desempregados procuram trabalho há pelo menos 2 anos

Dados divulgados nesta terça-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 2,9 milhões de brasileiros desempregados (25% do total) buscavam trabalho há pelo menos 2 anos no trimestre encerrado em dezembro. O número é 6,5% menor que o registrado no final de 2018, quando 3,1 milhões de desempregados se encontravam nessa situação. O recuo acompanha a taxa média nacional de desemprego, que caiu de 12,3% em 2018 para 11,9% no ano passado. Do total de desempregados no 4º trimestre de 2019, outros 1,65 milhão (14,2%) procuravam trabalho há mais de 1 ano e há menos de 2 anos. Outra parcela de 1,86 milhão (16%) buscava trabalho há menos de um mês. A maior fatia, um contingente de 5,21 milhões (44,8%), estava desempregada entre 1 mês e menos de 1 ano. O chamado desemprego de longa duração, uma dos piores legados da crise no mercado de trabalho, recuou no ano passado. O país tinha 4,56 milhões de pessoas em busca de emprego havia um ano ou mais no último trimestre de 2019, 8,6% abaixo de igual período de 2018. O desemprego de longa duração é definido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) como pessoas que procuraram emprego continuamente por pelo menos 1 ano. "Considerando, principalmente, que o desalento se manteve estável, [essa redução na fila do desemprego de longa duração] não parece ser um indicador de que as pessoas desistiram de procurar trabalho, mas de que, possivelmente, conseguiram uma ocupação", avaliou a gerente da pesquisa, Adriana Beringuy. Nas regiões Nordeste e no Norte, o chamado desemprego de longa duração segue acima da média nacional, com um percentual. A taxa de desempregados que buscam emprego há pelo menos 2 anos ficou em 29,9% no 4º trimestre no Nordeste e em 25,7% no Norte. No trimestre encerrado em dezembro, a taxa de desocupação ficou em 11%, atingindo 11,6 milhões de pessoas, conforme já tinha sido divulgado anteriormente pelo IBGE. O número de desalentados (pessoas que desistiram de procurar emprego) ficou em 4,6 milhões de pessoas de 14 anos ou mais. Apesar da queda no desemprego no ano passado, a taxa média anual de informalidade em 2019 ficou em 41,1% da população ocupada, maior nível desde 2016, e também foi recorde em 20 estados. O indicador refere-se à soma dos trabalhadores sem carteira, trabalhadores domésticos sem carteira, empregado. Segundo Adriana, a pesquisa trouxe indicadores que apontam para uma melhora quantitativa do mercado de trabalho, como o aumento da população ocupada e a redução do tempo de espera para sair do desemprego. "Em termos estruturais do mercado de trabalho, 2019 é um ano importante porque é o terceiro ano em que se observa uma melhora quantitativa, mas mesmo assim ainda observamos que indicadores ligados à qualidade do trabalho que precisam melhorar", avaliou. Só SP e MT tiveram alta no emprego com carteira assinada Na comparação com 2018, apenas Mato Grosso e São Paulo tiveram aumento no número de trabalhadores com carteira assinada - respetivamente 44 mil e 472 mil a mais, segundo o IBGE. Questionada sobre o que influenciou esse aumento do trabalho formal sobretudo em São Paulo, a gerente da pesquisa, Adriana Beringuy, disse não ser possível afirmar com precisão. "Tudo indica que foi uma soma de pequenas reações em alguns setores [econômicos]", disse. O aumento do emprego formal no estado de São Paulo correspondeu a 51,5% do saldo líquido positivo do emprego com carteira assinada no país. "Isso mostra a importância desse estado na geração de emprego formal no país. Evolução da taxa de desemprego — Foto: Economia G1 Pretos e pardos são 64,8% dos desempregados Os números do IBGE também mostram que o desemprego continua maior entre negros, mulheres e jovens. No 4º trimestre, 51,8% do total de desempregados no país eram pardos, seguidos dos brancos (34,2%) e dos pretos (13%). Em 2012, os pardos representavam 48,9% dos desocupados, seguido dos brancos (40,2%) e dos pretos (10,2%). A taxa de desemprego dos que se declararam brancos (8,7%) ficou abaixo da média nacional, enquanto a dos pretos e pardos ficaram acima, em 13,5% e 12,6%, respectivamente. Taxa de desemprego de 9,2% para homens e de 13,1% entre mulheres Na divisão por sexo, a taxa de desemprego ficou em 9,2% para os homens e 13,1% para as mulheres no 4º trimestre. O nível da ocupação dos homens, no Brasil, foi estimado em 65% e o das mulheres, em 46,2%. Entre os jovens na faixa de 18 a 24 anos, a taxa de desemprego ficou em 23,8%. A maior taxa segue no grupo de 14 a 17 anos (39,2%). Já nos grupos de 25 a 39 anos (10,3%), 40 a 59 anos (6,6%) e de 60 anos ou mais (4,2%), o desemprego ficou abaixo da taxa média nacional (11%). Na análise por escolaridade, a maior taxa de desemprego foi observada no grupo com ensino médio Incompleto ou equivalente, atingindo 18,5% no 4º trimestre, seguido pelo grupo de trabalhadores com ensino superior incompleto (12,5%) e pelo segmento que tem apenas o ensino fundamental completo (12,3%). Já a menor é entre aqueles com ensino superior completo (5,6%). Por Darlan Alvarenga e Daniel Silveira, G1

'Ser professor deve ser o trabalho mais importante do século 21', diz especialista que estudou ensino em mais de 20 países

Alex Beard era professor de uma escola no Sul de Londres até que começou a se sentir estagnado na profissão e decidiu sair em busca de ideias alternativas. Em uma viagem que incluiu mais de 20 países, Beard visitou escolas que desenvolvem ferramentas e métodos inovadores de ensino para enfrentar os desafios do século 21. A jornada deu origem ao livro Natural Born Learners, em que ele não apenas reúne os exemplos mais relevantes, como também reflete sobre quais devem ser as principais questões que a educação vai enfrentar nas próximas décadas. "A criatividade, a capacidade de resolver problemas e a importância dos professores são os grandes desafios das escolas. E tudo isso em meio à grande incógnita de como lidar com novas tecnologias e inteligência artificial", afirmou. Confira abaixo a entrevista que Beard concedeu à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, durante o Hay Festival, em Cartagena, na Colômbia. BBC News Mundo - Quais são os piores erros que estão sendo cometidos na educação atualmente? Alex Beard - É uma boa pergunta, que devemos nos fazer com urgência. Olha, eu comecei como professor em uma escola no sul de Londres, na Kent Road — que, para você ter uma ideia, é a propriedade mais barata no jogo Monopoly (Banco Imobiliário) — e me toquei que estava aplicando os métodos que Sócrates usava na ágora, há cerca de 2 mil anos, para ensinar crianças que tinham telefones celulares e viviam no futuro. Acho que esse é o maior erro que estamos cometendo atualmente: as escolas permaneceram no passado e, com esses métodos ultrapassados, passamos 12 anos nas salas de aula, por isso é muito difícil mudar nossos conceitos sobre como a escola deve ser. O segundo desafio que a educação enfrenta hoje é que não se sabe claramente em que focar, levando em consideração o futuro. Quando me vejo de novo na sala de aula, me vejo como um professor que ensina crianças a passar em uma prova. Para que tirem uma nota aceitável, que é o que elas precisam, na prática, para passar de ano na escola. BBC News Mundo - E isso não tem nada a ver com a formação de profissionais do futuro... Beard - Exatamente, estamos treinando (esses alunos) para empregos e profissões que os robôs poderão realizar no futuro. Está claro para mim que não estou preparando (esses alunos) para o que vem por aí. E o erro que estamos cometendo é que colocamos muita culpa nos professores. Acredito que devemos transformar o professor em uma das pessoas mais importantes da sociedade. Porque, no fim das contas, são eles que vão moldar nossa criatividade, nossa coesão social, que vão estabelecer os alicerces que levam a criar uma economia forte e sustentável. Devemos nos esforçar para dar a eles autonomia e fortalecer seu profissionalismo, em vez de culpá-los porque as gerações mais jovens não estão à altura do que se espera. BBC News Mundo - Nesse sentido, quais habilidades os professores devem ensinar na sala de aula para preparar os alunos para o futuro? Beard - Acho que as crianças exigem três coisas. A primeira é aprender a pensar, mas de maneira condizente com os desafios do futuro. Elas devem pensar de forma crítica sobre o mundo, sobre o papel que desejam exercer a partir de um conhecimento profundo de si mesmas. A segunda é aprender a agir, mas sobretudo, a como ser pessoas criativas. Agora estamos enfrentando desafios imensos na área ambiental, o aumento da desigualdade, um cenário em que muitos trabalhos serão realizados por máquinas... Portanto, vamos precisar que as crianças desenvolvam a fundo sua criatividade. E isso significa que as crianças não devem apenas aprender a ser criativas, mas também a trabalhar com a ajuda de novas tecnologias, em conjunto com outras pessoas. E a terceira é aplicar essa criatividade na resolução dos problemas que o mundo moderno apresenta. Para cuidar de si mesmos e das pessoas ao seu redor. À medida que a sociedade se torna cada vez mais polarizada, os estudantes precisam desenvolver inteligência emocional para serem capazes de se conectar e ter empatia com outras pessoas, sejam da sua comunidade ou a nível global. Mas, acima de tudo, aprender a entender seu próprio desenvolvimento emocional, para ser capaz de gerenciar seu bem-estar em um mundo em que, a cada dia, é mais difícil viver. BBC News Mundo - Há um tema presente em seu livro: o papel da educação em ajudar a buscar 'o sentido das coisas que estamos fazendo'. Beard - Uma das coisas que estão transformando a maneira como entendemos a educação são as pesquisas sobre como nosso cérebro funciona, no campo da psicologia, do desenvolvimento inicial e até da neurociência. E uma das coisas que os cientistas cognitivos descobriram é que há uma hierarquia em nossas experiências, cujos resultados nos levam a aprender. Se insistirmos em repetir e memorizar, você vai reter uma certa quantidade de conhecimento e vai aprender até certo ponto. Mas se as coisas que você está aprendendo causam uma reação emocional — ou seja, fazem você se sentir entusiasmado, triste, confuso e assim por diante —, você pode reter mais conhecimento do que por meio da 'decoreba'. O mais importante é que tanto os pesquisadores quanto psicólogos chegaram à mesma conclusão: quando o aprendizado faz sentido para os alunos, ele realmente acontece. BBC News Mundo - E o que significa o aprendizado fazer sentido? Beard - Pode ser que um ensinamento tenha sentido porque há uma profissão específica que você quer seguir, e você espera que o aprendizado te ajude a conseguir esse trabalho e a executá-lo. Mas essa é uma visão muito estreita da aprendizagem. Uma coisa pode fazer muito sentido para você porque é algo que você adora fazer. É importante para você como pessoa. Talvez você goste de matemática, de aprender novos idiomas, de música. E, quando você começa a fazer essas coisas que ama, elas fazem sentido para você, porque têm a ver com sua identidade e sua maneira de se expressar. As pessoas podem, inclusive, encontrar sua própria expressão ao criar códigos. Por exemplo, quando essa ideia se torna uma busca criativa ou você consegue encontrar significado no que faz, ao ver que está ajudando a resolver um problema sobre questões que são importantes para você no mundo. Portanto, pode ser que você tenha interesse nas mudanças climáticas, se importe com a crescente desigualdade na sociedade, e se puder aplicar o aprendizado nas salas de aula para tentar resolver problemas relacionados a esses temas, então você vai encontrar significado no aprendizado e na aplicação desse aprendizado. BBC News Mundo - O livro fala sobre a conexão entre aprendizado, tecnologia e inteligência artificial. É possível que a profissão de professor seja considerada obsoleta no futuro? Beard - Bom... uma das razões pelas quais fiz essa viagem é que, quando trabalhava como professor em Londres, sentia que estava estagnado. Eu via como as novas tecnologias, as redes sociais e o surgimento do big data (análise de grandes volumes de dados oriundos do uso de internet) estavam dominando tudo ao nosso redor e, de uma hora para outra, meu principal interesse era saber como essas novas tecnologias, incluindo a inteligência artificial, eram aplicadas na área de ensino. Se essas novas tecnologias podem realmente transformar a maneira como aprendemos. Portanto, se a premissa era de que os robôs roubariam nosso trabalho, meu primeiro destino foi o Vale do Silício. Eu pensava que, após a estrondosa derrota de Gary Kasparov (ex-campeão mundial de xadrez) para o (supercomputador) Deep Blue em 1997, a inteligência artificial acabaria com tudo. Mas minha visita ao Vale do Silício me ensinou outra coisa. Lá, eu vi pela primeira vez um professor robô. E não era um androide na frente de uma sala de aula: era, na verdade, um software de inteligência artificial dentro de um ambiente de aprendizado na internet. BBC News Mundo - Como isso funcionava? Beard - Eles tinham um laboratório de ensino onde havia um professor e cerca de dez crianças de cinco anos, cada uma na frente de um computador, com fones de ouvido. Todas as crianças estavam caladas, concentradas no computador, onde havia programas desenvolvidos para ajudá-las no aprendizado de idiomas ou na solução de problemas matemáticos. O interessante era que, ao mesmo tempo em que o programa ajudava os alunos, também "aprendia" com os dados que obtinha em cada sessão quais eram os pontos fracos e fortes daquelas crianças, e adaptava automaticamente essa experiência para a lição seguinte. Assim, no final, oferecia um programa de aprendizagem quase personalizado, enquanto esses dados eram repassados ​​aos professores, que, por sua vez, contavam com mais informações sobre cada aluno. Este é um exemplo do que acontece: a inteligência artificial não superou os professores, mas se tornou uma ferramenta útil, um complemento muito necessário. Outro exemplo: em 2013, um estudo da Oxford Martin School revelou que 700 profissões poderiam ser substituídas por robôs no futuro, mas nenhum dos empregos relacionados ao ensino — ou seja, professor de escola primária, pré-escola, ensino médio e até mesmo universitários — estavam com os dias contados. E é verdade. Isso acontece porque ensinar é definitivamente um processo humano. BBC News Mundo - E não há riscos na convivência com os dados e a inteligência artificial? Beard - Embora a inteligência artificial ou robôs existam, a educação depende da interação humana. Nós aprendemos naturalmente, mas nascemos para aprender em sociedade. No futuro, veremos muitos avanços tecnológicos, mas eles serão incorporados e usados ​​pelos professores. O grande risco é que essa inteligência artificial possa ser melhor que os piores professores em algumas regiões do mundo. E o risco existe porque a inteligência artificial é barata. E talvez não seja melhor que a educação que um professor pode oferecer, mas pelo menos será mais barata. E esse é um grande perigo. Mas essa é a minha versão pessimista do futuro. E acredito que podemos evitá-la se investirmos mais nos professores, em sua formação, o que vai resultar em professores mais especializados e muito mais capazes de lidar adequadamente com as ferramentas tecnológicas. BBC News Mundo - Você disse várias vezes que os professores são bastante relutantes em aceitar essas novas formas de ensino. Por que isso acontece e como pode ser resolvido? Beard - Acredito, em primeiro lugar, que ensinar será o trabalho mais importante do século 21. Estamos vivendo uma era em que os recursos da Terra estão acabando, estamos ficando sem nada. E a única coisa que é ilimitada, o único recurso ilimitado que temos, é a inteligência humana, a engenhosidade humana, nossa capacidade de resolver problemas. Os professores são aqueles que cultivam esse potencial humano. Assim, argumento que ensinar será o trabalho mais importante do nosso século. Não tenho dúvidas, mas no momento não estamos preparando os professores para que sejam bem-sucedidos nesse trabalho. Podemos pegar como exemplo o caso da Finlândia: o curso mais difícil de passar é o de professor de escola primária. E se você entra, o curso em si é bastante rigoroso. É difícil ser aprovado e se formar. No meu mundo ideal, eu formaria professores da mesma maneira que os médicos. Ou seja, os professores se formariam na universidade e depois deveriam passar três anos combinando o ensino com o conhecimento de outros professores mais experientes. Dessa forma, em seu primeiro dia como professores, eles não apenas aplicariam o que aprenderam na universidade, mas também continuariam este processo na companhia de outro professor que os ajudaria a melhorar suas habilidades. BBC News Mundo - Quais são os principais desafios da educação na América Latina? Beard - O principal é a questão da desigualdade. Acredito que o sistema educacional na América Latina é significativamente desigual, se compararmos o nível mais alto com o nível mais baixo. Há escolas excelentes, mas a grande maioria delas é acessível apenas aos setores mais ricos da sociedade. E quando você olha para o outro lado, você tem escolas que realmente estão lutando pela sobrevivência. Essa desigualdade é muito mais evidente entre centros urbanos e áreas rurais. E esse é um desafio a que devemos prestar atenção não apenas de maneira abrangente, mas urgente. Acho que o outro grande desafio é o acesso à educação para muitas crianças. Sem mencionar uma educação de qualidade: há lugares onde as crianças só têm acesso a cinco anos de escola, e nada mais. E o terceiro ponto, acho que o mais crítico, são os professores. Que também é o maior desafio em todo o mundo. Temos de resolver os problemas de formação, mas não apenas isso, de capacitação, de fomento à profissão, para que não troquem a sala de aula por empregos mais bem remunerados. Acredito que precisamos nos questionar sobre vários aspectos: como podemos formar professores melhores dentro das escolas? Como podemos fazer com que ensinar seja uma profissão atraente para as pessoas? BBC News Mundo - Muitas escolas da América Latina são religiosas ou confessionais. Isso é um obstáculo para um processo de aprendizagem ideal? Beard - Bom, acho que há dois elementos que são fundamentais no trabalho que a escola faz hoje. Por um lado, ajuda os alunos a entender quem eles são como cidadãos, como membros de uma comunidade. E transmite os valores dessa comunidade. Por outro lado, existe o objetivo de formar pessoas criativas, comprometidas com a sociedade e que desejam acessar o máximo de conhecimento possível. As escolas religiosas, na maioria dos casos, desempenham muito bem o primeiro papel, mas não podem cair no erro de limitar a execução de projetos educacionais instigantes que ajudem a desenvolver as habilidades necessárias para enfrentar o século 21. Estou convencido de que elas podem fazer isso. Também sei que é difícil porque requer uma mudança cultural, mas se você conseguir separar esses aspectos, poderá desenvolver projetos maravilhosos. Por exemplo, há uma escola em Barcelona chamada Escola Nova 21, administrada por religiosos, mas que ao mesmo tempo é uma das escolas mais futuristas e interessantes de todas as que visitei para documentar no livro. Lá, eles estão realmente conectados com o tema da tecnologia, os alunos realizam projetos baseados em questões da vida real, onde aprendem a colaborar entre si para resolver problemas em um ambiente natural de aprendizagem. Mas, ao mesmo tempo, todas as professoras são freiras. E viajam pelo mundo falando sobre educação no século 21, sobre como preparar os jovens para enfrentar os atuais desafios econômicos e sociais, como a desigualdade e o aquecimento global. BBC News Mundo - Outro projeto que você cita no seu livro é o da Khan Academy, que na América Latina funciona, por exemplo, em alguns lugares da Amazônia. Beard - Sim, um dos desafios que regiões como a América Latina enfrentam constantemente é que há alguns lugares onde o acesso aos centros urbanos é quase impossível. Por esse motivo, novos modelos devem ser criados, para que jovens e crianças possam receber uma boa educação em locais onde é muito difícil a chegada de professores. E o exemplo da Khan Academy é muito bom porque consegue utilizar de forma adequada as novas tecnologias para criar projetos de educação a distância, que funcionam muito bem e que podem contribuir para o bom desempenho dos estudantes. Mas o fato é que o conceito da Khan Academy necessita de uma infraestrutura de acesso à internet para funcionar. E, além disso, ainda que tenha a infraestrutura, um dos grandes desafios que esses lugares enfrentam é a baixa retenção nos cursos de educação à distância. Por isso, o que eles estão fazendo lá é revolucionário, porque entenderam o processo de educação à distância, mas não esqueceram da importância dos professores para otimizar a educação oferecida. BBC News Mundo - 'Estamos caminhando para uma sociedade que compartilha suas ideias, a partir de uma fonte irrestrita de conhecimento'. Esta é uma frase sua, como se traduz esse conceito na educação do futuro? Beard - Um dos grandes problemas que o sistema educacional atual tem é o fato de estabelecer uma espécie de competição constante entre os alunos. Na Coreia do Sul, um dos países que visitei para escrever o livro, há um exemplo extremo disso: os alunos fazem uma prova aos 18 anos para estabelecer um ranking nacional que praticamente decide que emprego você pode ter e para qual universidade você pode ir. Basicamente, toda a sua saúde, riqueza e felicidade, e todo o sistema educacional até aquele momento, se traduz essencialmente em uma corrida para alcançar a posição mais alta possível. E isso causa uma série de comportamentos terríveis. Quatro ou cinco anos antes da prova, os jovens passam 15 horas por dia estudando durante a semana, e 12 horas no fim de semana. Eles se tornam muito competitivos nas instituições de ensino. Eles não compartilham o conhecimento. Não há colaboração. A ideia de desenvolver um projeto paralelo os aterroriza, porque significa que, enquanto estão se dedicando a ele, os outros alunos estão se preparando para o exame. E isso cria um ambiente fechado, com pouca criatividade, sem colaboração. E agora sabemos que esses três valores: abertura, criatividade e colaboração, são fundamentais para o mundo de hoje. Estamos enfrentando desafios que só podem ser superados por meio da colaboração e da imaginação humana. Isso nos obriga a contar com pessoas aptas a desenvolver uma inteligência coletiva, além da inteligência individual. Mas ainda vemos que os estudantes não compartilham conhecimento em nossos sistemas educacionais, tampouco há colaboração, porque estão competindo. Há, inclusive, professores que não aceitam que ninguém diga a eles como podem fazer seu trabalho melhor. Uma das coisas que mais me impressionava quando eu era professor é que nenhum colega vinha à minha sala de aula, e eu tampouco ia às salas de aula de outros colegas. Parece que o que estamos fazendo é tão vergonhoso que não merece ser visto por ninguém. Pessoalmente, acho que precisamos abrir nossas salas de aula. Há vários estudos bastante sérios que demonstram a eficácia de sistemas abertos, onde a criatividade é incentivada, onde são geradas mais ideias. E isso a própria natureza nos ensina: à medida que um animal cresce, consegue ser muito mais eficaz na hora de concretizar e canalizar a energia que precisa para sobreviver. Este artigo faz parte da versão digital do Hay Festival Cartagena, encontro de escritores e pensadores realizado na cidade colombiana entre 30 de janeiro e 2 de fevereiro de 2020. Por BBC

Mercado desafiador e falta de confiança são entraves para arranjar trabalho

O mercado de trabalho desafiador e a falta de confiança dos profissionais em si mesmos são os principais obstáculos para o brasileiro conseguir uma oportunidade, segundo pesquisa divulgada hoje pela rede social LinkedIn. O estudo entrevistou mais de 30 mil pessoas em mais de 20 países, incluindo mais de 2 mil brasileiros, de 18 a 65 anos. Eles responderam sobre quais eram as maiores preocupações e oportunidades que os profissionais lidam atualmente e as maiores dificuldades para mudar a sua situação atual.  Dentro das oportunidades mapeadas, os entrevistados brasileiros citaram quais eram os principais obstáculos para alcançá-las. Do ponto de vista macroeconômico, isto é, levando em conta fatores que não estão no controle do profissional, foram citados o mercado de trabalho desafiador, em primeira posição; seguido por uma possível recessão global; e a idade do profissional, empatada com o status financeiro do profissional. Completam ainda a lista o comprometimento e falta de suporte da família, em quinto lugar; a saúde e deficiências físicas do profissional, em sexto; a educação do profissional, em sétimo; e a localização geográfica.  No ponto de vista micro, ou seja, para fatores que podem ser controlados pela pessoa, a falta de confiança e medo de falhar ficaram em primeiro lugar do ranking brasileiro, empatados com a falta de networking. Em terceira posição está a falta de motivação, seguida pela falta de tempo; a falta de experiência de trabalho; a falta de aconselhamento; e a falta das habilidades necessárias.  "Sabemos que para alguns fatores, especialmente macroeconômicos, foge do controle do profissional fazer algo para mudar a situação. No entanto, vale sempre fazer o exercício de avaliar quais são os fatores internos que podem ser mudados, seja de curto a longo prazo", comentou Milton Beck, diretor geral do LinkedIn na América Latina, em comunicado divulgado. A pesquisa global apontou que quando questionados sobre quais eram as maiores preocupações que tinham, os entrevistados elencaram: os problemas ambientais (18%), a segurança (14%), problemas de saúde (13%), qualidade educacional (8%), privacidade digital (7%),e aumento do custo de vida (ambos com 6% cada) e o custo com cuidados de saúde (3%). Outras preocupações como a recessão econômica, a estabilidade no trabalho, desigualdade social e planos futuros de aposentadoria ficaram com 2% cada.  No Brasil, o índice de preocupações ficou um pouco diferente, com a segurança em primeiro lugar (29%), seguida pela qualidade educacional (16%) e a saúde (12%). Os problemas ambientais caem para a quarta posição, com 11%. Completam ainda a lista a privacidade digital (6%) e fake news e aumento de custo de vida, outra vez empatados, com 4%, respectivamente. O levantamento também mapeou quais são as oportunidades que as pessoas gostariam de alcançar. A nível global, 87% mencionaram oportunidades relacionadas a trabalho, seguido por oportunidades sociais (59%), de educação ou aprendizado (29%), networking e mentorias (22%) e de empreendedorismo (18%).  Dentro das oportunidades de emprego, as opções mais citadas foram: um trabalho com bom equilíbrio de vida profissional e pessoal (40%); poder fazer o que ama (também com 40% das menções); estabilidade e segurança no trabalho (38%); poder utilizar suas habilidades (30%) e receber reconhecimento pelo que faz (25%). Já no Brasil, entre as oportunidades de trabalho mais mencionadas estão: poder fazer o que ama, em primeiro lugar; seguida por estabilidade e segurança no trabalho; e um trabalho com bom equilíbrio de vida profissional e pessoal, em terceira posição.  Do UOL, em São Paulo

Trabalhadores terceirizados ganham menos e se sentem descartáveis, aponta pesquisa

Os trabalhadores terceirizados cumprem uma jornada maior de trabalho, contam com menos estabilidade e têm um sentimento de serem descartáveis, como se fosse uma ferramenta, aponta pesquisa realizada pela Santo Caos, consultoria especializada em engajamento. A palavra "descarte" foi uma das mais citadas durante as entrevistas que resultaram no estudo, que também constatou que 59% dos terceirizados não gostam de trabalhar dessa forma e dizem que é melhor atuar por conta própria. Outra citação recorrente foi a "invisibilidade". Segundo a pesquisa, o terceiro se sente invisível, pois não é inserido em ritos da empresa que o contratou, não recebe avaliações regulares sobre o seu trabalho, a não ser as críticas. Neste contexto, o trabalhador terceirizado não se sente reconhecido. Com isso, o terceiro enxerga a empresa para a qual presta serviços de uma forma distante e negativa, ao mesmo tempo em que vê a companhia com gratidão por lhe assegurar um emprego, mesmo sentindo discriminação e a sensação de descarte. Exemplo disso é que 64% dos terceirizados falam para amigos e familiares que trabalham na empresa. Já quem é contratado diretamente pela empresa tem a percepção de que não vale a pena terceirizar porque o terceiro tem uma pior gestão e, por isso, é menos engajado. Quem são os trabalhadores terceirizados no Brasil? “Quase Próprio” (34%) Esse perfil é o trabalhador mais jovem (entre 25 e 31 anos) e exerce função administrativa. Na maioria são homens que estão na primeira experiência de trabalho e atuam há um ou dois anos como terceirizado. O "Quase Próprio" nem se define como terceiro, se considera próprio (contratado diretamente pela empresa) e diz o nome da companhia como sua identificação. Seu sentimento é de entusiasmo e enxerga a terceirização como uma questão de conjuntura socioeconômica potencializada pela atual crise no país. “Expert” (18%) Os trabalhadores com esse perfil têm função de especialista, a maioria é mulher e tem entre 32 e 38 anos. Já teve algumas experiências em clientes diferentes e tem até um ano como terceiro, embora esse profissional não se identifique como um terceiro, mas como um consultor especializado. Na prática, ele se vê como uma ferramenta de uma área e que os colegas contratados pela empresa são os que levam os créditos do trabalho, portanto, seu sentimento é o de ressentimento. Assim como o "Quase Próprio", também entende que ser terceiro, neste momento, é algo conjuntural. “Sr. Conforto” (12%) Esse perfil de profissional é um adulto maduro (38 a 52 anos), homem, operacional, tendo passado a maior parte da carreira como terceirizado ou já está como terceirizado há um tempo considerável e obteve certo destaque. Ele entende que, para sua função, a única opção é ser terceirizado e está confortável com isso. Seu sentimento é de satisfação. “Por um Tempo” (20%) Esse perfil atua nas funções administrativas ou como especialista e tem entre 39 e 45 anos, sendo, em sua maioria, mulheres. Após alguns processos seletivos frustrados, o medo pesou. Na sua visão a terceirização é algo temporário, seu desejo para o futuro é ser dono do próprio destino, seja empreendendo, seja mudando de área, logo, seu sentimento é o de medo. “Paga Boleto” (16%) Esse profissional tem perfil mais operacional, com gênero misto (18 a 24 anos e 46 a 59 anos), e relatou que outras opções nem foram consideradas, pois não enxerga como poderia ser diferente. Tem entre um a cinco anos de contrato, diz o nome da prestadora de serviço como sua identificação e considera que “a vida é esta: pagar boleto, ir vivendo dia a dia”. Esse tipo de terceirizado só pensa nessas obrigações, independentemente do tipo de contrato de trabalho, enxerga que será inferiorizado, portanto, tem um sentimento de inferioridade. Por Weruska Goeking, Valor Investe

Escola da ANPT inaugura instalações físicas em Brasília

Nessa quinta-feira (06) foram inauguradas as instalações físicas da Escola da ANPT. O espaço é composto por um estúdio de gravação para videoaulas, recepção exclusiva, além de um novo espaço do associado, muito mais amplo, confortável e moderno. O evento marcou também os 41 anos de fundação da Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT), comemorados oficialmente nesta sexta-feira (07).

Endereço: SBS Quadra 2 Bloco S, Ed. Empire Center, Salas 1101, 1102, 1113 e 1114 11º andar, Brasília-DF, CEP 70070-904 

Telefone: 61 98353.0022  

E-mail: escola@escoladaanpt.org.br